• 26 a 28 de Agosto de 2026

    XXVII COBRAC

    XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial
    Centro de Convenções de Natal – Natal – RN

  • junte-se a nós

    da maior entidade da especialidade do país, e uma das maiores do mundo.
    Como membro do Colégio, e de acordo com a categoria, você passará a contar com inúmeros benefícios.

  • Fique em dia com o colégio

    adimplência

    Não perca seus benefícios, lembre-se que muitos deles são válidos somente para membros titulares e efetivos adimplentes.

  • 11 a 13 de Setembro de 2025

    17º COPAC

    Expo D. Pedro - Campinas/SP
    Não perca a oportunidade de se atualizar e fortalecer nossa especialidade

  • 13 a 15 de Novembro de 2025

    SULBRABUCO

    6ºSulbrabuco - Balneário Camboriú - SC

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  • de 26, 27 e 28 de Agosto de 2026

    XXVII COBRAC

    XXVII Congresso Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial

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História do CBCTBMF

A História e Memoria do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial (CTBMF) esta publicada em um livro em formato e-book que pode ser baixado neste link: História e Memória do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (1970 – 2025).pdf

Veja abaixo abaixo um pouco deste livro:

História e Memória do Colégio Brasileiro de Cirurgia e
Traumatologia Bucomaxilofacial (1970 – 2025)

PREFÁCIO

É com profunda honra e grande admiração que escrevo este prefácio à crônica histórica do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial1. Como Presidente da Associação Internacional de Cirurgiões Bucomaxilofaciais (IAOMS), tenho o privilégio de testemunhar as notáveis contribuições dos colegas brasileiros para a nossa especialidade no cenário global, e este volume representa um testemunho de sua extraordinária trajetória de excelência ao longo de mais de cinco décadas.

Desde sua fundação, em 1970, em Brasília, o Colégio Brasileiro distinguiu-se não apenas como uma organização profissional, mas como um farol de avanço científico, inovação educacional e compromisso inabalável com o cuidado ao paciente. A visão dos fundadores — promover a educação avançada, a pesquisa e o desenvolvimento da cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial — foi realizada além de seus sonhos mais ambiciosos. Hoje, o CBCTBMF figura entre as maiores e mais influentes organizações especializadas do mundo, estabelecendo padrões que ressoam através dos continentes e inspirando excelência em programas de formação em todo o mundo.

O que torna a experiência brasileira particularmente notável é a capacidade extraordinária do Colégio de integrar rigor científico com responsabilidade social. Ao longo de sua história, o CBCTBMF tem sido fundamental na formulação de políticas públicas de saúde, no avanço da integração da cirurgia bucomaxilofacial aos cuidados hospitalares, e em garantir que os benefícios da expertise cirúrgica especializada alcancem todos os segmentos da sociedade brasileira. Sua liderança durante a pandemia de COVID-19 exemplificou esse compromisso, quando o Colégio rapidamente se mobilizou para fornecer orientações essenciais, desenvolver protocolos de biossegurança e manter a continuidade educacional através de plataformas virtuais inovadoras — ações que serviram como modelo para toda a nossa comunidade internacional.

Este volume, meticulosamente pesquisado, captura não apenas os marcos institucionais e as conquistas científicas, mas também o espírito de colaboração, inovação e dedicação que define a cirurgia bucomaxilofacial brasileira. Ao celebrarmos os 55 anos do CBCTBMF, celebramos um legado que enriquece toda a nossa profissão e estabelece um padrão exemplar para organizações especializadas em todo o mundo. Aos meus estimados colegas brasileiros: suas contribuições para a cirurgia bucomaxilofacial global são incomensuráveis, e sua liderança contínua assegura que nossa especialidade continuará a avançar, servindo à humanidade com excelência, compaixão e integridade científica.

Rui P. Fernandes, MD, DMD, FACS, FRCS(Ed)
Presidente da Associação Internacional de Cirurgiões Bucomaxilofaciais

INTRODUÇÃO

[…] as ideias existem sempre ligadas a homens e instituições; seu estudo nos coloca frente ao problema do tempo e do espaço histórico e nos obriga a um diálogo concreto, preciso, profundo com as fontes […] que estão guardadas em nossas bibliotecas e arquivos2.
A construção de uma história institucional se constitui em um processo fundamental para a preservação da memória coletiva, permi-tindo compreender a trajetória, os marcos e as transformações de uma organização ao longo do tempo. No campo científico, a sistematização de narrativas institucionais é essencial para fortalecer a identidade de comunidades profissionais, evidenciar contribuições sociais e legitimar o papel de associações em contextos locais, nacionais e internacionais. De acordo com Maurice Halbwachs, a memória coletiva é estruturada a partir de marcos que orientam a coesão dos grupos sociais, integrando experiências individuais em narrativas partilhadas3.
Ao longo das últimas décadas, diferentes pesquisadores se empenharam no desenvolvimento de pesquisas sobre universidades, associações e organizações importantes para distintas atividades culturais e políticas em nossa sociedade. Enfatiza-se que algumas datas são marcantes, como os cinquentenários ou centenários, mas não se constituem como única justificativa para pensar como a atuação dessas instituições foi fundamental para grupos profissionais ou a sociedade4.
Ao refletir sobre a elaboração de pesquisas sobre instituições atuantes em nossa sociedade, seguimos as palavras de Douglass North, quando destaca que a “História importa. Importa não só porque pode-mos aprender com o passado, mas também porque o presente e o futuro estão relacionados com o passado por meio da continuidade das insti-tuições de uma sociedade”. Ainda segundo o autor, “as escolhas de hoje e de amanhã são moldadas pelo passado, e o passado só pode se tornar inteligível como um caso de evolução institucional”5.

A partir dessas afirmações, consideramos que registrar parte da História do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CBCTBMF), entre 1970 e 2025, representa não apenas uma celebração, mas também um exercício crítico de análise sobre como a instituição se consolidou como referência científica e profissional nos cenários local, nacional e internacional. Os projetos em torno da instituição mantiveram importantes impactos na sociedade, com formação de profissionais, desenvolvimento de políticas públicas e projetos que até hoje impactam a sociedade nas mais distintas regiões do Brasil.

A memória institucional, conforme salienta Pierre Bourdieu, não é estática, mas construída em um campo social marcado por disputas, capitais simbólicos e práticas legitimadoras6. Ao organizar e difundir sua História, o Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial não apenas preserva registros, mas reafirma sua posição como entidade formadora de especialistas, produtora de conhecimento e influente nas políticas públicas de saúde bucomaxilofacial. Dessa forma, a obra não se restringe a comemorar uma trajetória de mais de cinco décadas: também propõe refletir sobre a inserção da instituição em cenários nacionais e internacionais, suas conquistas, seus desafios e suas contribuições para a sociedade brasileira.

O momento também é de reafirmar o compromisso com as políticas públicas em torno da saúde, as contribuições para a formação continuada dos profissionais e as colaborações com diferentes entes governamentais para a estruturação de ações para a odontologia. Do mesmo modo, considera-se que é um período para se planejar ações futuras, especialmente com os avanços na produção científica que tem como fim a oferta de serviços para as diferentes camadas sociais.

Do ponto de vista metodológico, a obra se utilizou de diferentes fontes documentais e orais. Foram consultados arquivos institucionais, atas de reuniões, relatórios, jornais, correspondências e documentos administrativos, os quais constituem vestígios indispensáveis para a compreensão de processos institucionais. Entre as instituições consultadas, destacam-se a Hemeroteca da Biblioteca Nacional e os arquivos do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, que salvaguardam fontes fundamentais para a compreensão da atuação da instituição nos últimos 50 anos. Como destaca José D’Assunção Barros, as fontes não revelam apenas fatos, mas intencionalidades, silêncios e disputas que possibilitam a reconstrução de trajetórias de forma crítica e fundamentada7.
De modo complementar, também recorremos à coleta de informações em jornais que circularam em todo o Brasil, que forneceram elementos valiosos para situar a atuação do CBCTBMF em diferentes contextos da saúde e da sociedade brasileira. Para a historiadora Tânia Regina de Luca, a imprensa desempenha um papel essencial na constituição de representações sociais, funcionando não apenas como repositório de acontecimentos, mas como produtora de discursos que influenciam a memória coletiva8. Por meio da análise das reportagens, compreendemos como a instituição foi construída e projetada ao longo do tempo, além de identificar sua inserção em debates públicos sobre saúde, formação profissional e o desenvolvimento de projetos científicos.
Além das fontes escritas, a obra também adotou a metodologia da História Oral, registrando depoimentos de ex-presidentes, associados, docentes e profissionais que contribuíram de maneira decisiva para a trajetória da instituição. Para Verena Alberti, a História Oral permite captar dimensões da experiência histórica, com registros de relatos que, quando reunidos, compõem um mosaico coletivo capaz de orientar aspectos invisíveis nas fontes oficiais9. O uso das entrevistas enriqueceu a narrativa com informações sobre os acontecimentos, demonstrou per-cepções, valores e sentimentos que constituem o patrimônio imaterial do CBCTBMF. Esse processo garantiu que a memória institucional fosse registrada de forma plural, dando voz aos protagonistas e humanizando a narrativa. Deve-se destacar que o método da História Oral possibilita que o autor seja “criador da história a partir do momento em que se dá conta que, mesmo minimamente, transformou e transforma o mundo […], questionando elementos da vida social”10.
O livro também fez uso de imagens dos eventos realizados nas últimas décadas, que registraram acontecimentos e realizações dos membros do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Deve-se destacar que esses materiais foram utilizados como fontes históricas, que refletem sentidos para compreender os acontecimentos e não apenas como método de ilustração11.

A integração das diferentes fontes, periódicos, imagens e testemunhos orais possibilitou a construção de uma narrativa sobre a historicidade do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilofacial. Como observa Jacques Le Goff, a memória institucional é instrumento de preservação e de futuro: ao selecionar acontecimentos e personagens, salvaguardamos o passado e projetamos um horizonte de referências para as gerações futuras12. Neste sentido, o presente trabalho busca compreender os múltiplos contextos sociais, políticos e culturais que influenciaram a trajetória do CBCTBMF, mostrando como a instituição se consolidou e se reinventou ao longo de mais de meio século de atuação em diferentes regiões do Brasil.

O livro “História e Memória do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (1970-2025)” foi organizado em seis capítulos que revelam diferentes dimensões dessa trajetória. O primeiro analisa a História e parte das memórias do Colégio, desde sua fundação até os dias atuais, destacando momentos fundadores e marcos institucionais. Também são apresentadas algumas ações junto à sociedade e os impactos da especialidade no campo da saúde pública e privada. Os projetos de formação e políticas públicas ocupam lugar de destaque, demonstrando a inserção do CBCTBMF na qualificação de profissionais e na formulação de diretrizes para diferentes setores.

O capítulo “Atuação da Odontologia na Covid-19 e a importância do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial” demonstra como a atuação dos membros do Colégio foi importante para o período pandêmico e os resultados presentes até os dias atuais. Todas as discussões são elencadas com ênfase na formação continuada, especialmente no capítulo “A formação continuada no Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial”, onde são apresentados os principais eventos da instituição. Tal atuação é observada a partir da capilaridade da instituição, com debates na parte destinada aos “Capítulos e representações regionais”.

Nos capítulos sobre a “Galeria dos Presidentes” e “Medalhas e honrarias”, registramos a sucessão de lideranças, as ações de fortalecimento institucional e as formas de homenagens concedidas pela instituição. Nos debates, buscamos registrar os diferentes gestores e seus períodos de atuação, desde a fundação. Por fim, buscamos inserir os usos de algumas medalhas e honrarias documentadas como reconhecimento às trajetórias individuais e coletivas, consolidando o prestígio da instituição e a parceria com diferentes colaboradores.

Ao reunir registros jornalísticos, imagens e depoimentos, o livro documenta a trajetória de uma instituição e reafirma o seu compromisso com a ciência, a educação, a sociedade e a saúde. Salvaguardar a História e a memória do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial é preservar a identidade de uma comunidade científica e profissional, garantindo que sua contribuição continue a inspirar as futuras gerações de cirurgiões bucomaxilofaciais.

Como qualquer produção sobre a História de uma instituição, sabemos que muitos eventos não foram inseridos nos capítulos deste livro, uma vez que a escrita da História também é realizada por escolhas. No entanto, enfatizamos que, a partir deste trabalho, outras pesquisas podem ser elaboradas, com novas problemáticas e considerações sobre umas das principais instituições científicas do Brasil.

1 Para a produção do livro, utilizamos o nome da instituição a partir das atuais normas da língua português. Para o uso das fontes, mantivemos os formatos de escrita do período.
2 Lafuente, Antonio. La ciencia periférica y su especialidad historiográfica. In: Sal-daña, Juan José; Lafuente, Antonio. (Ed.). El perfil de la ciencia em America. México: Editora Cuadernos Quipu, 1986. p. 33.
3 Halbwachs, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
4 Gomes, Betânia da Mata Ribeiro; Moura, Carlos André Silva de; Valença, Mariana Rabêlo; Santos, Mário Ribeiro dos; Araújo, Sandra Simone Moraes de. Universidade de Pernambuco: histórias, espacialidades, memórias e outras narrativas. Reci-fe: EDUPE, 2024. Reznik, Luís, et al.. 70 anos UERJ: 1950-2019. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2019.; Nascimento, Paulo Cesar. Unicamp, 50 anos: uma história de ino-vação e empreendedorismo. Campinas: PCN Comunicação, 2016.
5 North, Douglass. Instituições, Mudança Institucional e Desempenho Econô-mico. São Paulo: Três Estrelas, 2018. p. 09.
6 Bourdieu, Pierre. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996.
7 Barros, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens. Pe-trópolis: Vozes, 2019.
8 Luca, Tânia Regina de. História dos, nos e por meio dos periódicos. In: Pinsky, Carla Basssanezi (Org.). Fontes históricas. São Paulo: Contexto, 2005. p. 111-153.
9 Alberti, Verena. História oral: a experiência do CPDOC. Rio de Janeiro: FGV, 2013.
10 Le Vem, Michel Marie et al. História Oral de vida: o instante da entrevista. In: Von Simson, Olga Rodrigues de Moraes (Org.). Os desafios contemporâneos de história oral – 1996. Campinas: CMU/UNICAMP, 1997. p. 220.
11 Burke, Peter. Testemunha ocular: o uso de imagens como evidência histórica. Bauru: UNESP, 2004.
12 Le Goff, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da Unicamp, 2003.